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Roberto Soares Nogueira, assessor das entidades integrantes do CDE para assuntos ligados ao meio ambiente, fala da importância do Rio São João para o município (matéria publicada recentemente na imprensa local).

Posso afirmar, com segurança, que Itaúna (com mais de 80.000 habitantes, economia forte e Universidade com mais de 6.000 alunos) não existiria, se por aqui não passasse o Rio São João.

Portanto, no meu entendimento, os dois maiores problemas ambientais de Itaúna estão nesse Rio.

O primeiro problema está na chegada do Rio ao nosso município: a Barragem do Benfica foi construída com a finalidade de regularizar as vazões do Rio São João, ou seja, acumular água para abastecimento na época da seca, e proteger contra inundações (o Plano Diretor de Itaúna mostrou, com propriedade, a existência de inúmeras áreas urbanas passíveis de inundação e não se pode esquecer do ocorrido na transição dos anos 1996/1997) na época das chuvas. Infelizmente a sua função regularizadora está sendo prejudicada ano após ano pelo assoreamento. Como a causa desse assoreamento vem dos municípios a jusante, é necessário que seja feito um projeto de revitalização do alto Rio São João em conjunto com os municípios de Itaguara e Itatiaiuçu, onde o Rio não tem a mesma importância que tem para Itaúna. Lembro que o diagnóstico já foi elaborado pelo Projeto Rio São João Vivo. O combate ao efeito, o assoreamento já existente, é responsabilidade exclusiva do município de Itaúna.

O segundo problema, apesar de não prejudicar a totalidade do município de Itaúna, precisa ser resolvido dentro dos conceitos de gestão por bacia hidrográfica e “pensar globalmente e agir localmente”.  Do mesmo modo que a degradação a montante prejudica Itaúna, o apresentado a seguir prejudica os municípios a jusante.

A iniciativa louvável da captação dos esgotos domésticos em Itaúna não foi completada com a instalação e operação da Estação de Tratamento de Efluentes (projeto com licenças ambientais prévia e de instalação referendadas pela Unidade Regional Colegiada do COPAM Alto São Francisco em 18/10/2007), o que tráz prejuízos para os municípios de Igaratinga, São Gonçalo do Pará, Pará de Minas (hoje captando água para seu abastecimento no Rio Paraopeba), Onça do Pitangui, Conceição do Pará e Pitangui, além dos incômodos óbvios sofridos pelos moradores da região onde os esgotos captados são lançados no Rio São João.

Diante disso, é urgente que se consiga recursos para a implantação da ETE (Estação de Tratamento de Efluentes) de Itaúna, em prol das bacias hidrográficas do Rio São João, Pará, São Francisco e de todo o Planeta TERRA.

Itaúna, 05/06/2009 – Roberto Soares Nogueira