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Em tempos de inflação alta, maior variedade de produtos vira trunfo no e-commerce



Por Talita Nascimento


Como em todo segmento da bolsa, no e-commerce e varejo de bens duráveis não basta crescer. É preciso avançar mais que a concorrência. Mais uma vez, o Mercado Livre mostrou um volume de vendas totais difíceis de superar. Foram US$ 7,7 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 26,5%, em dólar, e de 31,6% em moeda constante na comparação com o mesmo período de 2021. Das nacionais, a Americanas mostrou o melhor desempenho no mesmo critério: R$ 14,2 bilhões, um crescimento de 21,7%. O Magazine Luiza veio na sequência, com R$ 14 bilhões de vendas totais, porém com um crescimento menor, de 13%. A Via ficou por último, com R$ 10,7 bilhões e alta de apenas 3,3%.


Para o sócio da consultoria Varese Retail, Alberto Serrentino, o Mercado Livre tem consolidado a sua liderança, enquanto a Americanas começa a colher frutos da integração de suas lojas físicas com seu comércio digital, o que permite mais velocidade de entregas. Ambps têm mais variedades de produtos e, por isso, conseguem ter mais força para superar crise. Para atingir esse modelo de negócios, a alta quantidade de lojistas virtuais nas plataformas é essencial. Permite aumentar a oferta de produtos sem a assumir a gestão de um estoque tão grande.


No caso do Mercado Livre, que é um shopping virtual, a receita de vendas vem praticamente toda desses vendedores terceiros. Na Americanas, as vendas de produtos próprios ainda é representativa, mas os lojistas têm ganhado espaço. Dos R$ 11 bilhões em vendas digitais no trimestre, R$ 6,2 bilhões vieram por meio de terceiros.


O diretor da Americanas S.A., Raoni Lapagesse, disse em teleconferência que o período de “ajuste” que o País vive, de inflação e juros altos, não assusta a companhia. “O cenário ainda vai ter desafios, mas o nosso modelo de negócios permite passarmos bem por isso. Para o segundo trimestre, nossa perspectiva é seguir com crescimento atrelado à rentabilidade”, disse.


Bens duráveis

No Magazine Luiza e na Via, a história é diferente. Ambas apresentaram crescimentos expressivos durante a pandemia em função da injeção de dinheiro feita na economia brasileira, que fez a venda de bens duráveis disparar. No entanto, agora o setor está desaquecido e ambas – apesar de estarem investindo em seus shoppings virtuais – ainda são dependentes dessa categoria.


No caso do Magazine Luiza, entre janeiro e março deste ano, as vendas do marketplace (shopping virtual) cresceram 50% em relação ao ano anterior. Hoje, os 180 mil lojistas virtuais presentes na plataforma são responsáveis por mais de um terço de tudo o que é vendido no comércio eletrônico. A empresa argumenta que, como só aceita vendedores formais, seu crescimento na área deve ser visto de maneira diferente.


“Nossos ‘sellers’ (vendedores) são formais, não dá para comparar com quem coloca pessoa física na plataforma”, disse, em teleconferência com investidores, o CEO da companhia, Frederico Trajano. Com esse critério, ele afirma que a empresa foi quem mais adicionou vendedores em sua plataforma.


Já na Via, dos R$ 10,7 bilhões de volume de vendas digitais, só R$ 1,2 bilhão vieram de lojistas virtuais. Serrentino afimra, porém, que o resultado geral da Via foi resiliente, já que a empresa buscou equilibrar as contas, olhando para a qualidade do crescimento que apresentou. Ele explica que – tanto do lado de bens duráveis, quanto no oferecimento de crédito – a empresa está muito desafiada pelo cenário macroeconômico.


Reajustes

Nas duas especialistas em bens duráveis, houve avanços de rentabilidade, já que, diferente do quarto trimestre de 2021, ambas buscaram readequar suas despesas, bem como repassar preços ao consumidor.


No Magazine Luiza, a margem bruta, que mede a rentabilidade da companhia, cresceu 2,7 pontos porcentuais e foi a 27,8%. O diretor financeiro da companhia, Roberto Belíssimo, disse ao Broadcast que a companhia optou por repassar ao preço final o aumento de inflação de custo dos produtos e a alta da taxa de juros. O Ebitda ajustado da companhia foi de R$ 434 milhões, alta de 2% na comparação anual. O resultado ficou 10% acima da expectativa da expectativa do Citi e 15% acima do consenso de mercado.


Na Via, a rentabilidade foi o principal ponto destacado pela XP. Para a casa, a empresa reportou resultados sólidos no primeiro trimestre de 2022, com ebtida ajustado 13% acima do esperado. O Citi também reconheceu os avanços de margem, mas mostrou preocupação com o crescimento da companhia. “Os resultados do primeiro trimestre de 2022 registraram crescimento abaixo do esperado, mas margens muito melhores, graças a um maior controle sobre despesas gerais e administrativas, especialmente despesas com pessoal”, afirmam os analistas João Pedro Soares, Sérgio Matsumoto, Felipe Reboredo e Cristian Ashwell.


Resultados

Mesmo com todo o rearranjo de despesas, Magazine Luiza encerrou o trimestre com prejuízo. O mesmo aconteceu com a Amaricanas, apesar das fortes vendas das empresas.


Sobre a Americanas, os analistas da XP disseram: “Contudo, a companhia reportou um prejuízo líquido de R$ 137 milhões devido a maiores despesas financeiras por conta da alta de juros, além de uma queima de caixa de R$ 1 bilhão, devido à sazonalidade do trimestre combinada com o aumento do CAPEX (investimentos)”, ressaltam Gustavo Senday, Thiago Suedt e Danniela Eiger sobre a Americanas.


No Magazine Luiza, eles destacaram que o prejuízo de R$ 98,9 milhões aconteceu devido a maiores despesas financeiras frente ao aumento das taxas de juros. Além disso, observaram que a companhia reportou uma queima de caixa de R$ 3,6 bilhões – em linha com a sazonalidade do trimestre -, impactada pelo pagamento de R$ 3,9 bilhões a fornecedores, combinado ao pagamento de fusão e aquisição (M&A) de aproximadamente R$ 500 milhões.


A Via, por sua vez, apresentou lucro líquido operacional de R$ 86 milhões no primeiro trimestre de 2022. O número indica queda de 52% na comparação com o mesmo período de 2021. A empresa explica, porém, que, se considerado o resultado comparável do ano anterior, houve crescimento de 36,5%. Já o lucro líquido contábil, que leva em conta os custos das provisões para processos trabalhistas, foi de R$ 18 milhões, uma queda de 90%. No Mercado Livre, o lucro líquido bateu os US$ 65 milhões.


FONTE: Varejo SA

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