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  • Comunicação CDL Itaúna

Quatro lições para conseguir crédito em bancos

*Alexandre Damasio

No período de pandemia, o setor produtivo foi altamente atingido. Diferentemente de outras crises no capital especulativo, a pandemia de Covid-19 gerou uma crise na produção de matéria prima, que, consequentemente diminuiu a produção industrial de manufaturados, prejudicou o abastecimento no comércio, paralisou o tráfego de produtos e pessoas, e culminou, segundo o ICVA – Índice Cielo de Varejo Ampliado, na queda do consumo de 36,5% durante o período de lockdown e terminou o ano com queda de 11% em dezembro de 2020.


Podemos destacar três importantes e danosas características das empresas e empresários brasileiros. O primeiro é que o modelo de produção de riqueza no Brasil é dependente de crédito.O segundo é que somos um país com excesso de microempreendedores individuais que na prática são pessoas físicas que têm mais deveres que direitos. E terceiro, as empresas e os empresários nacionais possuem pouco ou até mesmo nenhuma cultura de escrituração contábil e compliance.


Esses fatores foram determinantes para a dificuldade de tomada de crédito das empresas nesse período e continuará a ser nesse ano. Por isso, escrevemos quatro lições para ter acesso ao crédito junto aos bancos em 2021.


É importante saber que a maioria dos concedentes de crédito avaliam três pontos primordiais do tomador de crédito: a situação econômico-financeira, o grau de endividamento e a capacidade de geração de resultados, essa lista faz parte da Resolução do Banco Central do Brasil n° 2682. É analisado o fluxo de caixa, administração e qualidade de controles, pontualidade e atrasos nos pagamentos, contingências e setor de atividade econômica.


A primeira lição baseia-se em compilar informações públicas da sua situação financeira e, para isso, podemos acessar a plataforma Registrato do Banco Central- um ambiente virtual em que as pessoas e empresas têm acesso a todas as suas dívidas, empréstimos e contas correntes existentes. É nesse processo que podemos aferir a situação econômico-financeira e o grau de endividamento do tomador. Também é necessário fazer uma pesquisa no CADIN Estadual- Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados de Órgãos e Entidades Estaduais e CADIN Federal- Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal, além da análise do score de crédito e cadastro positivo, apontamentos e negativações, protesto nacional e risco do setor que pode ser feito no SPCSerasa.


Essas são informações de mercado e não podem ser alteradas pelo tomador e nos entregam elementos estratégicos para a segunda lição para conseguir créditos em Bancos:


Independente da sua qualificação empresarial e porte da sua empresa, há necessidade da demonstração de instrumentos de controle administrativo que, minimamente, são contratações de um certificado digital, um profissional de contabilidade, a adequação à Lei de Proteção de Dados e adequação à Lei Anticorrupção.


Até aqui listamos os documentos públicos da sua situação econômico-financeira, os instrumentos mínimos para comprovação de gestão empresarial.


A terceira está diretamente ligada à escrituração contábil da sua empresa. Recolher guias do contador não é suficiente. A escrituração contábil é um método para registrar os atos administrativos relevantes e tem que ser mais que a simples cópia da movimentação bancária. Deve apresentar um registro preciso dos créditos, obrigações, débitos, contingenciamentos, patrimônio e rúbricas de uma empresa.


Nas duas primeiras lições há uma dependência externa de informações. A escrituração contábil é o primeiro documento produzido e gerenciado pela empresa. É o momento ideal para justificativas acerca do fluxo de caixa, administração e qualidade de controles, pontualidade e atrasos nos pagamentos e contingências. Nessa oportunidade também é necessário o acréscimo das notas explicativas contábeis, métodos que incluem informações de natureza patrimonial, econômica, financeira, legal, física e social. Além disso, deve constar os critérios utilizados na elaboração das demonstrações contábeis e eventos subsequentes ao balanço.



A quarta lição para conseguir crédito nos bancos está relacionada a “saber pedir” o crédito. Isso significa que o tomador deve ampliar seu rol de possíveis cedentes de crédito. Com as inúmeras fintechs do mercado, as possibilidades e modalidades de crédito são vastas. Estudar as instituições financeiras e suas especificidades, como banco de fomento, banco privado, banco público, banco segmentado e banco cooperado é importante para verificar a vocação do seu empréstimo. Por exemplo, setores específicos, como o turismo e o agronegócio, têm grandes chances de empréstimo nos bancos de fomento e bancos públicos. Já microempreendedores individuais têm mais facilidades em bancos do povo. Quando há uma garantia imobiliária as fintechs oferecem boas condições, cooperativas de crédito são uma opção interessante nos arranjos produtivos locais.


*Alexandre Damasio é presidente da CDL de São Caetano do Sul


FONTE: Varejo SA

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